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Feminismo Diabolico

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O que é o feminismo?

O que é o feminismo?


Rendall (The Origins of Modern Feminism: Women in Britain, France and the United States, 1780-1860, London:Macmillan, 1985) determinou que a palavra “feminismo” foi usada pela primeira vez em 1894. É derivada da palavra francesa “feminisme” que, aparentemente, foi inventada pelo Socialista Utópico Francês, Charles Fourier.
Tentarei dar uma definição de Feminismo que contemple todos os “feminismos” mencionados neste livro e, talvez, não só. As feministas, parecem ter alguma dificuldade em definir Feminismo. Esta dificuldade provém, em grande parte, do facto de estas terem conquistado as sociedades ocidentais de forma tal, que restaram poucos não-feministas com os quais possam contrastar.
Os grupos normalmente definem-se em relação aos não-membros, e como este grupo em particular não tem, de forma articulada, não membros, acaba por ter uma imagem difusa de si próprio. Espero ser útil neste objectivo, que, tal como este livro refere, o modelo de vítimas da opressão ajusta-se ao homem pelo menos tão bem como à mulher, e que o opressor dos homens são as feministas, e alguns homens excentricamente quixotescos. A meu ver, este livro serve este objectivo, mas cabe ao leitor julgar se fui ou não bem sucedido.
Outro problema que se coloca a quem pretende definir “Feminismo” é, visto que cada geração de Feministas se retira após ter ganho a sua batalha, a próxima geração aparece com um novo conjunto de preocupações, queixas e exigências. Ao longo da maioria do século dezanove, as feministas estavam concentrados na obtenção do direito de voto e direito de propriedade. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os objectivos foram primeiro o emprego e o aborto, e depois os crimes em que a mulher era a queixosa e o homem os alegados culpados, por exemplo, violação, violência doméstica e abuso sexual infantil. Estas diferentes gerações tendem a definir-se em termos dos seus próprios objectivos políticos. Isto confunde qualquer tentativa de obter uma visão geral deste movimento político:
Um problema central no discurso feminista tem sido a nossa incapacidade, quer para chegar a um consenso de opinião sobre o que é o feminismo, quer para aceitar definições que possam servir objectivos de unificação. Sem um acordo de definições, falta-nos uma base sólida sobre a qual erguer uma teoria ou empreender um trabalho significativo. (Bell Hooks, Feminist Theory: From Margin to Center, Boston: South End Press, 1989, p. 17)
Esta incerteza sobre a essência do Feminismo é um dos contrastes do Feminismo Pós-moderno (ver capítulo 6). No seu início, as feministas não tiveram tanta dificuldade em definir Feminismo. Um livro sobre Feminismo editado pelo Women’s Studies Group (1979), por exemplo, apesar de se declarar incapaz de dar uma definição clara da própria disciplina de Estudos sobre Mulheres, deu a definição seguinte da sua matéria - Feminismo. Considero esta uma excelente definição, e a minha própria definição é muito parecida.
Entendemos por feminismo, uma consciência da posição de desvantagem das mulheres na sociedade ou de desigualdade em relação à do homem, e também um propósito de acabar com esta desvantagem. (Bristol Women’s Studies Group, Half the Sky: An Introduction to Women’s Studies,1979, p. 3)
Um não-feminista poderá sentir que esta definição demonstra um exercício mental razoavelmente racional, visto que deixa uma porta aberta para uma discussão lúcida sobre se continua a ser verdadeiro afirmar que a posição da mulher na sociedade é uma desvantagem ou desigualdade. O propósito de acabar com esta desvantagem ou desigualdade deveria supostamente desaparecer se, depois de um período de diálogo entre feministas e não-feministas, se concordasse que de facto não existia. Mas contrastemos isto com a mentalidade implícita no texto seguinte:
Se o feminismo é definido em termos gerais como o caminho para uma sociedade sexualmente justa, muita gente partilha ao menos de alguns dos seus objectivos, embora não se identifiquem com o termo. (Meehan, British Feminism from the 1960s to the 1980s, in Smith (ed.) 1990, p. 189)
O problema desta definição é que simplesmente toma como certo, e não como ponto aberto à discussão, aquilo que a definição anterior pretende, isto é, que a posição social das mulheres é desvantajosa relativamente à dos homens. Uma feminista é (como a palavra sugere) quem está principalmente, se não exclusivamente, interessado em fazer valer o ponto de vista feminino e as pretensões das mulheres. Assumir isto simplesmente é o mesmo que sugerir que justiça sexual é incutir a uma das partes a ideia de que o diálogo com a parte não-feminista é virtualmente impossível. Uma boa definição de feminista aparece num folheto que publicita as sessões públicas de 1993 da National Conference of the New Zealand Women’s Electoral Lobby (WEL), em Wellington, Nova Zelândia:
WEL define feminista como alguém que acredita que as mulheres estão social e economicamente em desvantagem devido ao seu sexo e actua de acordo com essa crença.
Este é outro ponto de vista interessante do Feminismo:
O feminismo não é, do meu ponto de vista, um conjunto de respostas feitas, nem um compromisso a uma ideologia particular. É antes uma determinação em perseguir questões onde quer que elas nos conduzam. O feminismo insiste na determinação em ouvir com toda a atenção a experiência das mulheres com o objectivo de reformular os nossos pensamentos e acções. É assim mais que um método de diálogo criativo do que um conjunto de ideias pré-estabelecidas. Feminismo é um caminho para o bem estar das mulheres, tendo em vista a justiça em vez de patriarcado, embora o conceito de bem estar das mulheres não seja antecipadamente conhecido. (Pellauer: Moral Callousness and Moral Sensitivity: Violence against Women, in Andolsen et al. 1987, p. 34)
Esta declaração engloba um equívoco a respeito da natureza de ideologia. Nenhuma ideologia, como nenhuma religião, é capaz de antecipar todos os problemas que possam surgir, e deste modo os problemas são interpretados à luz das circunstâncias prevalecentes pelos seguidores de determinada religião ou ideologia particular. As outras ideologias são tão viciadas como o Feminismo, tendendo a determinar quais as questões colocadas pelos seus aderentes, e não a fornecer todas as respostas que sejam prontamente colocadas. Esta é a razão porque existem tantas versões de Marxismo, e a razão porque existe debate teórico sobre o ponto de vista Marxista sobre tantos assuntos.
Estou certo que o Feminismo tem sempre, e com grande à-vontade, seguido questões não se importando onde elas possam conduzir, mas o problema é que a ideologia Feminista determina primeiro quais as questões que devem ser colocadas. Este livro aponta os tipos de questões inerentemente tendenciosas que as feministas colocam sempre, e eu sugiro outras questões que podemos e devemos colocar também.
As feministas, como Pellauer afirma, ouvem a experiência das mulheres com muita atenção, mas não ouvem a experiência dos homens com a mesma muita atenção. Esta é uma indicação clara da tendência inerente à ideologia Feminista.
A razão porque o Feminismo revelou esta realidade, o seu segredo metodológico, é que o Feminismo está construído sobre a crença de que a mulher é sexualmente usada e abusada pelo homem. (Catharine A. MacKinnon, Feminism Unmodified, p. 5)
O corolário não mencionado disto, é certamente, que elas não acreditam nos homens. Esta visão parcial pode também conduzir as feministas (e todo o sistema judicial ocidental) a percursos não científicos, como se vê no livro de Lenore Walker, The Battered Woman, no capitulo sobre violência doméstica.
Como Pellauer afirmou, feminismo é uma determinação para o bem estar das mulheres, mas não uma determinação para o bem estar dos homens. Sempre que houver um conflito entre o bem estar das mulheres e homens, não há qualquer dúvida quanto ao lado de que estão as feministas. Como veremos no capítulo sobre a circuncisão, as feministas ocidentais falam na mutilação genital feminina nos países do Terceiro Mundo, mas quando interrogados sobre a mutilação genital masculina nos seus próprios países, desvalorizam a questão por se tratar de um assunto de homens. Podemos admitir que não nada de errado em ter uma tendência, contudo, as feministas reclamam o seu objectivo de igualdade sexual, e as Feminazis (feministas totalitárias) tentam activamente impedir que as posições dos activistas dos direitos dos homens se propaguem em base de igualdade com as ideias feministas. Neste caso a tendência assume os contornos de um problema sério.
A minha aproximação ao problema visa definir feminismo como a aplicação do modelo das vítimas da opressão à situação das mulheres na sociedade. Deste modo um feminista é aquele que acredita que este modelo (em qualquer sociedade) se ajusta melhor à situação da mulher do que à situação do homem. Isto não implica que todos as feministas acreditem que os “opressores” das mulheres são os homens, alguns acreditam que o real opressor é a própria sociedade, e os homens, eles também, são oprimidos pela rigidez dos papeis que a sociedade os força a adoptar.
Na minha opinião, isto bastaria como definição. No entanto, podemos acrescentar que as feministas estão limitados a ser génerocentricos e incapazes de ver quaisquer evidências de que os homens são discriminados e oprimidos. Algumas feministas concordam sinceramente que os homens são oprimidos pelos papeis do género masculino mas argumentam:

(1) que isto é um problema dos homens e não seu, e

(2) tal como a mulher foi “libertada”, os homens serão também libertados.

Entretanto, o tipo de problemas que discutirei neste livro não são o tipo de problemas causados pelos papeis de género, excepto na medida em que agora o papel da mulher nas sociedades ocidentais é oprimir o homem ignorando as suas necessidades e concentrando-se nos supostos direitos da mulher. Assim o feminismo é de facto um estado de espirito, o que significa que é improvável que morra devido a falta de assuntos para propaganda. Se o assunto não existir elas terão que o inventar (tal como Voltaire afirmou acerca de Deus).
Ao indicar isto, discordo fortemente com Simone Weil, que afirmou, “a opressão provém exclusivamente de circunstâncias objectivas” (Simone Weil, Oppression and Liberty). Isto é uma espécie de ponto de vista ingénuo, embora compreensível, vindo dela como defensora de um activismo anti-conformista. O que eu digo é que a presença ou ausência de “opressão” tem que ser determinada por seres humanos falíveis. Por vezes parecerá que estão a tentar encontrar opressão onde as circunstâncias objectivas podem não parecer a terceiros apropriadas para tal análise.
Reciprocamente, situações de opressão real podem ser, e são, sobreestimadas por pessoas que têm uma ideologia que as cega perante uma forma particular de opressão. O presente livro é, em parte, uma tentativa de agitar os hipnotizadores da opinião pública que estão absorvidos na tarefa de impedir que alguém veja que há homens que podem estar oprimidos.

Fonte: http://peterzohrab.tripod.com/pintrodu.html

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