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Feminismo Diabolico

terça-feira, 30 de julho de 2013

Marcha das Vadias contra o papa: a lógica “interna” do feminismo

Marcha das Vadias contra o papa: a lógica “interna” do feminismo
A manifestação da Marcha das Vadias contra o papa tem um objetivo claro: não enxergar quem é de fora do grupo como um ser humano com direitos.
por Flávio Morgenstern



Quando se discute idéias, a primeira precaução é procurar encontrar o termo preciso que diferencie as idéias, as intenções que as criam, os objetivos que visam, os meios utilizados, as conseqüências previstas e imprevistas de sua materialização e ainda as imagens que essas idéias deixarão na realidade.
É comum ignorar este rol de definições primárias e prolongar discussões que raramente conseguem alguma substancialidade maior do que a mera opinião. É a famosa equação de medir nossas idéias pelas intenções e medir as idéias do próximo pelas conseqüências.
Um tema que virou comum no fim da década passada foi o feminismo. A rigor, seria a defesa dos direitos das mulheres. Mas é preciso diferenciar intenções, o meio utilizado, o caminho que essas idéias buscam. Muitas outras idéias parecidas podem ser erroneamente misturadas aí.
Seria, por exemplo, natural chamar de feminista a Revolução Industrial, que multiplicou em 12 vezes o PIB per capita em menos de um século – a riqueza para as massas que permaneceu nulamente sem mudanças durante toda a História humana até então. As maiores afetadas foram as mulheres, que puderam ter mais filhos que deixaram de morrer pela drástica mortalidade infantil, e tiveram serviços cada vez mais leves com as novas máquinas. De uma população de 8,5 milhões, a Inglaterra saltou em um século para quase 36 milhões. Como não chamar de “feminista” algo que garantiu tantos direitos às mulheres, sobretudo o direito mais fundamental, de continuarem vivas e tendo continuidade?
Obviamente que ninguém chamaria uma revolução de maquinário de “feminista”, contudo. Com esse exemplo, fica óbvio que nem tudo o que defende os direitos das mulheres pode ser chamado de feminismo, e nem tudo o que chamamos de feminismo é simplesmente defesa desses direitos. Feminismo é uma busca por direitos específicos, através de um meio específico, com intenções específicas e objetivos específicos.
Dividir grupos humanos é uma tática coletivista já meio antiga. Os homens (ou melhor, os humanos) são categorizados por características escolhidas a dedo, e cria-se um discurso que enxerga sempre o próximo como uma ameaça, não um semelhante (a despeito de cores diferentes de pele, gêneros diferentes, orientações sexuais distintas, religiões adversas etc).
Toda ameaça massificada, onipresente e diversificada assim só pode ser combatida com leis draconianas contra o grupo tido como ameaçador e um poder de Estado policial cada vez mais capaz de invadir até as opiniões, crenças, palavras e pensamentos dos humanos postos em outro grupo (já se tem uma dica das intenções iniciais e conseqüências imprevistas do feminismo 2.0 a partir daí).
É exatamente o que faz a Marcha das Vadias.

O alvo da vez foi a Igreja Católica, durante a visita do papa Francisco ao Brasil. No meio de um passeio da Jornada Mundial da Juventude, um grupo de manifestantes da Marcha das Vadias achou por bem “protestar” no meio do evento religioso (público e com todas as idades presentes), tirar a roupa e, como meio de manifestação, usando o termo mais científico possível, “evaginar” uma imagem de Nossa Senhora, a mesma santa católica chutada por um pastor da Igreja Universal na TV.
O objetivo declarado e o objetivo verdadeiro urgem serem distinguidos. Não se trata de uma “científica”, digamos, “encenação” contra a religião, contra símbolos ultrapassados, contra o machismo. O manifesto foi apenas ofensa gratuita, violência a qualquer senso ético e estético, atentado ao pudor e ultraje a culto. Se fosse mesmo apenas uma manifestação de ateísmo dawkiniano, poderíamos supor que a Marcha das Vadias teria como próximo ato fagocitar por algum orifício que caiba uma imagem da negra Iemanjá, no meio de algum culto de candomblé. Sabe-se que não será o caso.
A manifestação, ainda que as próprias manifestantes e apoiadores não saibam, visa dividir grupos que ontem sentavam-se na mesma mesa, para enxergá-los apenas como coletivos ameaçadores – pedindo proteção estatal contra aquele que deve ser excluído do futuro glorioso.
O feminismo (e muitos outros “-ismos” que parecem uma simples idéia aglutinadora) marca território fortalecendo o grupo interno, tratando todos os que são de fora do grupo não como seres humanos, mas como uma massa homogênea, anônima e bestial de inimigos que precisam ser silenciados, sabe-se lá por quais métodos (ou, no fim, sabe-se muito bem).
Se parte-se de alguma proto-ameaça real (o “machismo”, as 200 famílias “patriarcais” que ainda sobrevivem no país), trata-se todos os que não concordam com as suas intenções, métodos e objetivos como uma única ameaça comum.
Crianças, vovózinhas, mulheres pudicas, famílias felizes inteiras são encaradas não mais como um semelhante humano, mas como um grande poço de corrupção pior do que todos os Bórgias que não merece um pingo de respeito.
A imagem religiosa da santa e de Jesus na cruz que esses religiosos tanto respeitam são quebradas e usadas como objeto sexual e motivo de escárnio por homens e mulheres nus, no meio da rua, durante uma manifestação pacífica (esta sim pacífica, com 3 milhões de pessoas e nenhuma “minoria de vândalos”, quando o “gigante acordando” reuniu 2 milhões no país inteiro, contando repetições de pessoas).
O grupo defendido pelas feministas (um grupo que chamam de “as mulheres”, embora não tenham um pingo de respeito pela sensibilidade de milhares de mulheres presentes) é reforçado, e este grupo passa a inverter agente e paciente na análise histórica.

As feministas e progressistas dizem que lutam contra um “discurso de ódio”, tudo porque a Igreja considera pecado alguns comportamentos que elas querem praticar (e não deveriam se importar tanto, já que, via de regra, sequer no Inferno católico acreditam). Este é o “discurso de ódio” da Igreja, emoldurado no perdão e no “amai-vos uns aos outros” e no Filho de Deus que nasce de uma mulher virgem. Enquanto elas, que se consideram vítimas, são capazes de, diante de famílias que nunca fizeram mal algum a elas, desnudarem-se e enfiarem uma imagem considerada sagrada pelos espectadores nos seus órgãos sexuais. Nenhum “discurso de ódio” aí?
A platéia não apenas é ofendida: é algemada em suas palavras. Afinal, poderia-se chamar uma mulher que faz uma coisa dessas de “vadia”? Ela não se auto-denomina “vadia”? Não: o intuito é, justamente, impedir até mesmo que sejam ofendidas, pois tratar com desrespeito essas mulheres que não respeitam a si próprias seria “discurso de ódio”. Não se pode chamar uma mulher que entuba uma imagem sagrada durante um culto religioso de “vadia”, apenas elas podem assim se auto-nomear e xingar o público presente (sem nenhum “discurso de ódio” que os defensores desse progressismo consigam notar).
É o discurso de ódio contra o ódio verdadeiro. Tangível.
Vê-se, então, que o “feminismo” não é uma defesa das mulheres, é apenas a defesa do que algumas mulheres defendem como objetivo de todas as mulheres, por só reconhecerem como mulheres humanas aquelas que estão dentro do grupo. Quem estiver fora é apenas uma ameaça ou, na melhor das hipóteses, um estorvo a ser futuramente “ultrapassado”. Não é uma mulher a ter seus direitos defendidos.
Não apenas isso, é uma defesa por meios específicos (outros meios não são considerados “feminismo”). E com o fim específico de rachar a sociedade, enxergando apenas coletivos massificados – ou, para resumir, apenas o coletivo das mulheres “de dentro” e a pasta amorfa de obscurantismo das pessoas que ficam de fora. Ameaças a serem tratadas como uma colônia de baratas no sótão.

Não à toa, toda a discussão entre as feministas e os “conservadores” é, justamente, que as primeiras recusam-se a enxergar no interlocutor algum traço de humanidade, enquanto os últimos enxergam almas individuais. De como feministas encaram fetos até a forma como tratam tiazinhas carolas indo ver o papa, todo o discurso é bem próximo da escatologia apocalíptica: elas não enxergam nenhum humano como ser humano, a não ser elas próprias, sobretudo seus impulsos mais primitivos.
Afinal, o papa abraçou rabinos, monges budistas e pais-de-santo, defendeu a importância do Estado laico e do diálogo e disse que não cabe a ele julgar homossexuais. De quem foi a manifestação de ódio explícito?
O mesmo vale para outros progressismos: a luta contra o racismo, pelos direitos dos gays, minorias etc costuma partir de algo na realidade que precisa ser mudado, mas não é tratado como um ideal fixo: a uma mudança de vento, é permitido o racismo, usa-se do mesmo “discurso de ódio” homofóbico e por aí vai.
Cria-se a novilíngua que tudo inverte. Contra o “obscurantismo” de uma religião tradicionalista e baseada no pecado original, culpa-se o macho branco ocidental heterossexual por natureza, proíbe-se qualquer piada, qualquer aversão, qualquer opinião própria contra o rebanho, qualquer coisa que ofenda a hipersensibilidade alheia. Um ambiente bem mais opressivo do que a missa. Ou o confessionário.
O discurso é pregação de ódio, e justamente diz que é contra a “pregação de ódio”. A própria definição da psicopatia, que é rara nos cérebros, mas tão comum nas crenças.

A confusão fica clara quando uma das respeitáveis damas que enfiou a imagem da santa em sua sacrossantíssima explicou que preferiu cobrir o rosto para não sofrer represálias no trabalho. Por que se preocupar com o trabalho, tão capitalista, tão judaico-cristão, essa coisa que lhe dá tanta coisa que ela tanto quer, a ponto de ela ter medo de perder essa suposta exploração capital? E que tal depois levantar os cartazes “saia do meu corpo que não te pertence!”, como se fosse a religião que tivesse entrado em seu corpo a obrigando a tal, e não ela que tenha internalizado a sacralidade contra a opinião de todos os religiosos?
No fim da “encenação” da Marcha das Vadias, após quebra de cruzes e da imagem de Nossa Senhora, uma das respeitáveis moças nuas deitou outro ser humano nu com as pernas para o ar e, com uma camisinha, enfiou o que restou de um dos crucifixos em seu ânus. Essas feministas, que adoram encontrar ameaças abstratas (“o machismo! o patriarcalismo!”) em tudo, inventaram novas modalidades extremas de cagação de regra.



Resta aos defensores dos ideais progressistas, que não conhecem os perigos do coletivismo e da ação de massas, acreditar que essa exaltação foi um acidente de percurso, e não o próprio ápice do desconforto que, afinal, foi o objetivo da manifestação. Assim, até mesmo quando os coletivos fogem do controle, sempre se tem um bode expiatório, a última invenção da cultura brasileira: a “minoria de vândalos”.
Como bem definiu o filósofo Olavo de Carvalho, a Marcha das Vadias foi ótima. Libertou-nos de toda obrigação de tratá-las com respeito.
Diante do papa, é fácil perceber do que essas feministas andam precisando.


Fonte: http://www.implicante.org/artigos/marcha-das-vadias-contra-o-papa-a-logica-interna-do-feminismo/

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