Novo endereço do nosso site

Novo endereço do nosso site
Feminismo Diabolico

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A pilula do dia seguinte tornou o aborto obsoleto

Pílula do dia seguinte

José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
O início da vida sexual ocorre cada vez mais cedo, na maior parte das vezes, sem que os jovens se preocupem com nenhum procedimento contraceptivo. Consequentemente, não são raros os casos de meninas grávidas aos onze, doze anos de idade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a única maneira de evitar tais incidentes é mantê-las informadas a respeito dos riscos a que estão expostas – entre eles, a transmissão de doenças graves como a AIDS, por exemplo, — e garantir-lhes o acesso aos métodos anticoncepcionais.
Entretanto, apesar do nível de informação sempre crescente a respeito dos riscos e implicações inerentes ao exercício da sexualidade e dos meios disponíveis para evitá-los, muitas moças se descuidam e engravidam. As desculpas são muitas: acharam desnecessária a prevenção, porque consideravam remota a possibilidade de manter relações sexuais, haja vista que não tinham namorado fazia muito tempo, ou porque as relações eram tão esporádicas que não justificavam o uso contínuo das pílulas anticoncepcionais, ou, ainda, porque o rapaz tinha o hábito de usar preservativos.
De repente, as coisas escapam de seu controle e elas se dão conta de que o programa do dia anterior coincidiu exatamente com o período fértil. Diante da possibilidade de uma gestação indesejada, muitas recorrem à pílula pós-coital, também conhecida como pílula do dia seguinte, ou do arrependimento.
O QUE É?

Drauzio – O que se entende por pílula pós-coital ou pílula do dia seguinte?
José Mendes Aldrighi – A pílula pós-coital nada mais é do que a pílula anticoncepcional comum constituída por estrogênio e progestogênio. A única diferença está na dosagem um pouco maior (50 microgramas de estrogênio e 250 microgramas de progestogênio), quando indicada após uma relação sexual que represente risco de gravidez.
Então, a jovem que manteve relação num momento inoportuno, ou teve a infelicidade de o preservativo ter-se rompido, o que não é tão infrequente assim, ou, ainda, aquela que foi vítima de estupro podem valer-se dessa pílula para afastar o risco da gestação indesejada.
Na verdade, a pílula pós-coital contribuiu para evitar algumas agressões ao organismo que as mulheres cometiam, quando suponham estar grávidas. Por exemplo, ao se darem conta do ocorrido, aquelas que tinham mantido relação sexual próxima do período ovulatório faziam as maiores acrobacias para adiantar a chegada da menstruação. Para tanto, recorriam a drogas abortivas com efeitos colaterais danosos para sua saúde ou introduziam instrumentos dentro do útero, que podiam provocar danos gravíssimos ao organismo.
INDICAÇÃO E DOSAGEM

Drauzio – Como deve ser administrada a pílula pós-coital?
José Mendes Aldrighi – Estupro, ruptura de preservativo ou coito num momento próximo da ovulação são casos que justificam a indicação da pílula pós-coital nas seguintes doses: tomar 2 comprimidos no período que vai desde o momento da relação sexual até 72 horas depois e mais 2 comprimidos doze horas mais tarde. São 4 comprimidos ao todo, portanto.
Assim, a mulher que se encontra numa dessas situações de risco deve procurar obrigatoriamente um médico antes de completar as 72 horas para que ele possa prescrever-lhe a pílula. A eficácia é quase de 100%, uma vez que cria condições para apressar a menstruação e, com isso, impede que a gravidez se instale.
Drauzio – Vamos admitir que a mocinha tenha tido uma relação no sábado à noite. Quais são as providências que deve tomar?
José Mendes Aldrighi – Se a relação ocorreu no sábado à noite e no domingo ela não conseguiu entrar em contato com o médico, na segunda-feira precisa procurá-lo para receber a orientação adequada. Ele vai prescrever-lhe quatro comprimidos de uma pílula anticoncepcional comum. O importante é que dois comprimidos sejam tomados o mais depressa possível e, passadas doze horas, tome mais dois. A grande maioria das pacientes responde a esse esquema com perda sanguínea num prazo de sete a dez dias.
Drauzio – As moças costumam recorrer com frequência ao uso da pílula do dia seguinte?
José Mendes Aldrighi – Há muitos anos venho chamando a atenção de que a pílula pós-coital, ou do dia seguinte, só deve ser utilizada numa emergência, não como recurso anticoncepcional rotineiro. Sempre defendi sua indicação nos casos de estupro, como forma de impedir que o sofrimento de uma gravidez forçada viesse somar-se ao trauma e à violência impingidos à mulher nesses casos.
Quanto às meninas que mantêm relações sexuais com certa regularidade, essas devem procurar um médico para receber a orientação necessária sobre o uso da pílula ou de outro método contraceptivo adequado às condições de seu organismo e faixa de idade.
Aliás, nesses casos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a dupla proteção, isto é, a pílula anticoncepcional para elas e o preservativo para os meninos, a fim de protegê-las também contra a infecção pelo vírus HPV (papiloma vírus humano), por exemplo, que pode ser transmitido por via sexual e é responsável pelo aparecimento do câncer de colo de útero. Às vezes, as mulheres só descobrem tardiamente que são portadoras desse vírus, quando vão fazer o exame de Papanicolaou.
ATENDIMENTO NO SERVIÇO PÚBLICO

Drauzio – Esse tipo de orientação é oferecido pelo serviço público de saúde para as moças que não têm condição de consultar um médico particular?
José Mendes Aldrighi – Em São Paulo, a Santa Casa, o Hospital das Clínicas e o centro de saúde-escola da Faculdade de Saúde Pública da USP, a Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) oferecem esse tipo de orientação. São esses serviços especializados que as moças devem procurar, em vez de ouvir os palpites de curiosos no assunto.
Drauzio – No interior, esse serviço também está disponível nos postos de saúde?
José Mendes Aldrighi – Em muitas das grandes cidades do interior, funcionam faculdades de medicina e hospitais-escola que podem prestar esse tipo de atendimento. Nas outras, a maioria possui postos de saúde competentes, responsáveis por informar e orientar as moças e pela prescrição dos medicamentos.
Drauzio – É um procedimento caro?
José Aldrighi – Não, não sai caro. Na verdade, sai o preço de uma cartela de pílulas anticoncepcionais de uso convencional, da qual são retirados apenas 4 comprimidos para serem tomados da seguinte forma: dois antes de completar as primeiras 72 horas posteriores à relação sexual e, doze horas depois, mais dois.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

ShareThis

Veja também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...