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Feminismo Diabolico

domingo, 4 de agosto de 2013

Ciência transcendente

Saber sofrer - ciência preciosa! Que mina profunda e rica! Duas pessoas sofrem a mesma dor. Uma sabe sofrer, outra não. Esta se abate, se lastima, acha a vida um fardo, desespera. Avoluma imensamente seu sofrimento. Sua cruz era de madeira, tornou-se de chumbo.
A outra sabe sofrer. Beija a cruz com imensa paz. Julga-se merecedora de muito maiores padecimentos. Admira-se de ser tratada com tanta delicadeza, quando sente a necessidade de se penitenciar. Compreende que entre as ilusões da vida só há um ponto de apoio - os braços da cruz. Quem pretender achar repouso no prazer, no conforto, sentirá depressa o travo da desilusão.
Como é confortadora a consciência de uma dor suportada por amor de Deus! Como é grato percebermos em nós um traço vivo de semelhança com o Divino Redentor! E há sempre um ponto de contato em nossa vida com a de Jesus, quando a cruz gravita sobre nossos ombros. No fundo do cálice do prazer, sempre o fel que tanto amarga; no fundo do cálice do sofrimento bem suportado, sempre o néctar da paz.
Entretanto continua a cruz a ser temida. Por que não torná-la desejada?
Mas são muitos os que sabem sofrer? A ciência é profunda, mas está ao alcance de todos. Como porém se requer muita fé para se ver na cruz o que ela tem de invisível, bem poucos são os que vencem a repugnância natural ao sofrimento.
Não se trata de inteligência mais ou menos aberta, mas de fé mais ou menos viva.
A ciência sobrenatural conta bem pouco com as luzes naturais. O saber abraçar a cruz é, muitas vezes, privilégio de corações simples e pobres de luzes humanas; nem sempre as inteligências cultas conseguem devassar os páramos espirituais. Escasseia a fé, muitas vezes, onde sobra a cultura. Os rústicos, por vezes, entendem melhor as cousas do alto. Há uma explicação bem simples para tudo isso - o orgulho. Sim, quando o orgulho infla o coração do homem culto, acaba cegando-o para as cousas sobrenaturais. De si, a ciência devia favorecer a fé: arejando a inteligência, preparando o terreno par as ilustrações da luz superior. O orgulho, porém, é inimigo implacável da fé! Que prejuízo imenso causa ele aos pobres homens, só com lhe opor à luz do céu a barreira das trevas. A luz escassa, que a ciência humana lhe projeta no espírito, não impede que ele seja um cego, pois quase nada percebe do mundo infinito, sobrenatural, com essa pobre luz. Mundo de maravilhas que são o encanto dos eleitos; mundo em que se rasgam continuamente novos horizontes aos olhos dos que mergulham na luz da fé!
Pois a cruz banhada por essa luz que o orgulho não vê, tem aspectos esplêndidos e revelações surpreendentes. Aos humildes, dos quais a fé sempre é amiga, está reservada a ciência da cruz, a ciência única capaz de fazer a felicidade do homem, em meio as provações mais torturantes.

Texto de Dom Antônio de Almeida Lustosa

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