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Feminismo Diabolico

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

DESCANSE EM PAZ, EARL SILVERMAN

DESCANSE EM PAZ, EARL SILVERMAN

Posted on Apr 29, 2013 | 5 comments




Earl Silverman cometeu suicídio sexta-feira passada, dia 26 de Abril. Embora isso não tenha sido absolutamente do interesse da grande mídia, Earl foi uma pessoa muito importante pela luta que decidiu travar. Earl Silverman foi o criador do primeiro e único abrigo para homens atingidos por violência doméstica no Canadá.
Há 20 anos, Earl Silverman foi vítima de violência por parte de sua companheira e saiu de casa. No Canadá, há diversos abrigos para vítimas de violência doméstica terem um recomeço na vida – mas só se essas vítimas forem mulheres. Earl se viu então às voltas com uma segunda forma de vitimização, uma que poucos homens sequer percebem, exceto quando os atinge forte, muito forte e pessoalmente. Porque como “todos sabem”, homens não são alvo de violência doméstica, eles são os agressores. O modelo profundamente simplista, prejudicial e preconceituoso de que a violência no âmbito da intimidade entre as pessoas é apenas resultado da opressão violenta do homem sobre a mulher orienta as políticas públicas relacionadas ao assunto, lá e aqui.
Quando eu procurei por algum serviço de apoio, não consegui encontrar nenhum. Havia muitos para mulheres e os únicos programas para homens são os para gerenciamento de raiva. (…) Como vítima, eu me vi vitimizado novamentevitimizado, por esses serviços me dizerem que eu não era uma vítima, mas um agressor. (Earl Silverman)
Earl escolheu naquele momento uma luta pra empreender, e lutou pelos 20 anos seguintes. Ele foi a diversas autoridades e também fez campanhas para conscientizar particulares sobre os homens vítimas de violência no âmbito doméstico. Para arrecadar fundos, Earl usou muitas vezes o slogan: “Está faltando mais um tijolo para nós”.
A visão de Earl era conscientizar as pessoas a tratar os homens merecessem a mesma solidariedade que mulheres, quando fossem vítimas de violência de parceiro íntimo. Ele conheceu pessoas envolvidas com o movimento que criou os abrigos, inclusive a pioneira Erin Pizzey, da Inglaterra. Erin disse várias vezes que procurou levantar recursos para abrigos também para homens, mas encontrou dificuldades sempre maiores. A sociedade e os próprios homens, por um preconceito que só faz aumentar, não quer investir nos homens quando eles são vítimas. Erin repete a anos que violência não é questão de gênero, mas de padrões de comportamento aprendidos e sofridos na infância e que a grande maioria da violência em casais é mútua. Mas isso não é a noção de preferência da nossa cultura.
Earl encontrou indiferença, desconfiança, hostilidade e escárnio da parte da maioria da sociedade durante esses 20 anos. Todas as formas que ele encontrou de pedir ao governo financiamento para seu abrigo foram negadas durante essas duas décadas. Mesmo assim, com seu próprio trabalho e de poucos outros que o apoiaram, ele conseguiu criar um abrigo, que ele chamou de MASH (Men’s Alternative Safe House).
Recentemente, porém, Silverman finalmente se viu impossibilitado de manter o abrigo. Ele insistiu o quanto pôde, mas por fim ele não só teve que fechar o abrigo, mas vender a própria casa para pagar as dívidas. Ele declarou a um jornal local:
Eu pessoalmente não posso manter mais a casa. (…) A violência familiar deixou de ser uma questão social para ser uma questão sobre mulheres apenas. Então, qualquer apoio a homens é interpretado como sendo contra as mulheres.
O suicídio, tão preponderante entre pessoas do sexo masculino, foi um dos temas das palestras promovidas pela Canadian Association For Equality (CAFE), no Canadá. Os eventos foram acompanhados de protestos e ações ilegais de grupos feministas e socialistas-feministas. Entre os atos de agressão ilegal, bloquearam as entradas; dispararam os alarmes de incêndio, mobilizando ilegalmente o corpo de bombeiros só para atrasar ou tentar impedir os eventos; promoveram assédio a estudantes, homens e mulheres que foram às palestras; vandalizaram cartazes de divulgação dos eventos.
Além dessas ações desses grupos, abertamente ilegais, houve muitas outras. Levaram megafones para a porta dos auditórios, dificultando a realização dos eventos; se muniram também de pedaços de madeira para bater no chão, causando um clima de ameaça: tudo isso sob a alegação de que estavam “reagindo à violência contra as mulheres” que, para essas pessoas, a realização das palestras representa.
Fora isso, planejaram e comemoraram as ações pelas redes sociais, além de usar recursos da Universidade e dos Estudantes para convocar os participantes dos eventos, chamados de “promoção do estupro” e de misoginia. Uma das jovens que participaram das ações declarou no twitter aos que promovem consciência dos problemas enfrentados por meninos e homens: “Vejam minha posição política” – essa posição política, no perfil, era: “Matar todos os homens.” Outra disse que iria tatuar no corpo a palavra “Misandria” (ódio e desprezo pelas pessoas do sexo masculino e pela masculinidade).
Uma aparição famosa foi de uma feminista que gritou e xingou continuamente um ativista ligado ao site “A Voice for Men” (“uma voz para os homens”). Ele e uma moça tentaram explicar que existem problemas sérios dos homens a ser abordados pelos próprios homens, que tinham o direito de fazer isso fora dos meios e paradigmas filosóficos feministas. Quando um deles citou que mais de 80% dos suicídios no Canadá era de homens, citando mesmo um exemplo real, ela cantou: “Cry me a river” (Chore um rio para mim). Esse é um resultado da chamada “luta contra o ‘machismo’”. O “Machismo”nesse slogan, como eu sempre digo, é um eufemismo – a “Luta contra o ‘machismo’” não é, nem jamais foi, realmente, uma luta contra o “machismo”.
Um questão à parte é que essas mesmas pessoas nos protestos afirmam se sentir agredidas e ameaçadas por ser expostas na internet. Por receberem, assim, também reações ofensivas de trolls e usuários, inclusive feministas que os acusam de envergonhar o movimento. Essas pessoas culpam os ativistas que foram assistir ao evento e filmaram suas ações – elas se dizem vítimas, se sentem perseguidas.
Enfim, o fato é que Earl, já idoso, desistiu. Sua vida e sua luta tinham se tornado uma coisa só e ele desistiu de ambos. Earl terminou com a própria vida, como muito mais homens do que mulheres fazem pelo mundo inteiro. Essa disparidade numérica de gênero no suicídio não é por acaso. No caso de Earl, certamente não foi. Homens ainda são muito ligados a suas funções na sociedade e na família e sentir que não pode desempenha-las é uma razão dos suicídios. E homens não costumam pedir ajuda. E mais, se eles pedirem, não costumam receber nem de longe o mesmo cuidado (particularmente de serviços públicos) e interesse social, exatamente por serem homens. Eu não sei o que exatamente Earl pensou, mas imagino em parte. É muito triste que Earl tenha decidido nos deixar dessa forma. Foi uma vida humana perdida, a vida de uma pessoa que enfrentou uma luta justa. Uma vida que terminou cedo demais.
Descanse em paz, Earl Silverman. Você será lembrado pelos fins humanos por que você lutou.



Quando morre um grande homem, por anos a luz que ele deixa permanece no caminho dos homens. (Longfellow)

Aldir Gracindo.


https://www.youtube.com/watch?v=nnziIua2VE8

https://www.youtube.com/watch?v=iARHCxAMAO0

https://www.youtube.com/watch?v=o9stu707D_A

https://www.youtube.com/watch?v=nvYyGTmcP80

https://www.youtube.com/watch?v=KWuLVtH6vgM

Fonte: http://www.direitosdoshomens.com/descanse-em-paz-earl-silverman/ 

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